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Quando transformamos pessoas em salvadores: o que o amor e a política revelam sobre nós

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Cada um de nós só consegue entregar ao mundo aquilo que aprendeu a dar. E, muitas vezes, também espera receber dos outros aquilo que passou a vida inteira procurando. Pode parecer uma ideia simples, mas, quando a gente começa a olhar para as próprias relações, percebe o quanto ela ajuda a entender alguns comportamentos nossos inclusive aqueles que, de fora, parecem não fazer sentido. Eu comecei a perceber isso olhando para a minha própria história, para a relação com meu pai e para as diferenças entre a maneira como ele aprendeu a enxergar a vida e a maneira como eu aprendi. E, quanto mais penso nisso, mais percebo que esse mecanismo não aparece apenas dentro de casa ou nos relacionamentos amorosos. Ele também pode estar presente na maneira como escolhemos nossos representantes políticos, defendemos nossas opiniões e reagimos quando alguém questiona aquilo em que acreditamos. Cada um aprendeu a ler a vida de um jeito Meu pai aprendeu que ser pai era trabalhar, colocar comid...

Quando a ansiedade faz uma possibilidade parecer real

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Uma experiência pessoal sobra ansiedade, medo, cansaço emocional e como uma possibilidade pode parecer real quando a mente tenta encontrar respostas para aquilo que ainda não sabemos. Às vezes, a gente pensa que está lidando apenas com um problema, mas acaba descobrindo que existe algo muito maior acontecendo dentro de nós. Foi o que aconteceu comigo em uma manhã aparentemente normal. Eu acordei, percebi que um dos meus fones de ouvido havia desaparecido e comecei a pensar na possibilidade de tê-lo engolido enquanto dormia. O que parecia apenas uma preocupação foi ganhando espaço na minha cabeça. E, quanto mais eu pensava naquela possibilidade, mais difícil ficava simplesmente deixar o assunto de lado. Mas o que mais me chamou a atenção não foi apenas a preocupação com o fone. Foi perceber como aquela situação se misturou a um cansaço emocional que eu já vinha sentindo. Quando um pensamento começa a provocar sensações físicas Assim que percebi que o fone estava desapa...

O que uma pessoa que ganha um salário mínimo vai fazer com um dia a mais de folga?

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Descanso não é luxo, e ninguém deveria precisar provar que sabe aproveitar o próprio tempo para merecer uma vida menos cansativa. Esses dias, ouvi um comentário que me fez pensar bastante sobre a maneira como enxergamos quem ganha pouco. A pessoa questionava o que alguém que recebe um salário mínimo faria com um dia a mais de folga. A ideia era mais ou menos esta: se fosse alguém com dinheiro, poderia viajar, sair, fazer alguma coisa diferente. Mas e quem ganha pouco? O que faria com esse dia? Por que precisaria dele? Eu fiquei pensando nessa pergunta. E a primeira coisa que me veio à cabeça foi: o que essa pessoa vai fazer com o dia livre não deveria ser o mais importante. Ela precisa ter esse dia também. Talvez ela queira dormir até mais tarde. Talvez queira ficar com os filhos, passar um tempo com a família, colocar a casa em ordem ou simplesmente não fazer absolutamente nada. E daí? Desde quando uma pessoa precisa ter dinheiro para viajar, frequentar restaurantes ou c...

O preço da nossa sanidade: quando trabalhar passa a valer mais do que viver?

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Uma reflexão sobre a escala 6x1, a saúde mental, o valor do descanso e o que acontece quando esquecemos que, antes de sermos trabalhadores, somos seres humanos. Hoje eu fiquei pensando em duas coisas que, a princípio, parecem não ter muita relação. De um lado, vi a repercussão do relato de Felca sobre o bullying que sofreu e as consequências que isso teve na vida dele. Do outro, acompanhei um corte sobre o debate da escala 6x1 e o tempo de descanso do trabalhador. E foi justamente pensando nessas duas situações que cheguei a uma reflexão que eu mesmo não tinha feito antes. Talvez o problema seja maior do que parece. Quando a dor de alguém deixa de ser importante O relato de Felca me fez pensar em como a gente lida com o sofrimento dos outros. Uma pessoa decide falar sobre algo que viveu, sobre as marcas que carrega e sobre situações que afetaram sua saúde mental. Mesmo assim, há quem considere que aquele não é o momento adequado, que existem assuntos mais importantes ou que aquela dor ...

Antes de chamar alguém de irresponsável, conheça a história dela

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Às vezes, a gente olha para uma escolha que alguém fez e acredita que já sabe tudo sobre aquela pessoa. Vê alguém endividado e pensa que ela não sabe administrar dinheiro. Vê alguém que perdeu dinheiro apostando e conclui que aquela pessoa só quer dinheiro fácil. Vê alguém tomar uma decisão ruim e começa a imaginar que todas as outras áreas da vida dela também devem ser assim. Mas será que uma única atitude é suficiente para definir quem alguém é? Esses dias, fiquei pensando justamente nisso. Porque existe uma diferença entre reconhecer que uma escolha foi ruim e transformar essa escolha em uma definição sobre a pessoa inteira. Você pode discordar das atitudes de alguém. Pode entender que determinada decisão trouxe consequências negativas. Pode até acreditar que nunca faria a mesma coisa. Mas será que isso significa que você conhece a história que levou daquela pessoa até ali? A gente costuma julgar pelo resultado, não pelo caminho Quando olhamos para a situação de alguém, geralmente e...