Por que eu me sinto cansado de tentar e começo a achar que estou fazendo tudo errado?


Talvez o que esteja te cansando não seja tentar.


Talvez seja ter que continuar tentando enquanto alguém, alguma situação ou até a própria vida faz você sentir que está fazendo tudo errado.

Você começa um projeto.

Muda alguma coisa na sua vida.

Tenta cuidar de você.

Decide fazer diferente.

Tenta encontrar outro caminho.

E, em vez de alguém perguntar:

“Como eu posso te ajudar?”

você escuta:

“Você ainda está fazendo isso?”

“Isso vai dar certo mesmo?”

“Você não deveria estar fazendo outra coisa?”

“Você tem certeza de que isso vai funcionar?”

No começo, talvez você consiga ignorar.

Depois de ouvir isso muitas vezes, começa a incomodar.

E, quando isso se repete durante muito tempo, pode acontecer uma coisa ainda mais difícil:

você começa a duvidar de você também.

Quando tentar começa a parecer um erro


Nem sempre a gente percebe o momento exato em que começa a duvidar de si mesmo.

Não acontece necessariamente de uma hora para outra.

Às vezes começa com uma pequena dúvida.

Você tinha uma ideia e alguém questionou.

Você estava animado com alguma mudança e alguém desacreditou.

Você tomou uma decisão e alguém fez você pensar duas vezes.

Então você continua.

Tenta de novo.

Muda alguma coisa.

Procura outra possibilidade.

Mas aquela voz fica na cabeça.

E, depois de algum tempo, você começa a pensar:

“Será que eu estou mesmo fazendo tudo errado?”

Talvez você nem concordasse com aquilo no começo.

Mas ouvir a mesma coisa repetidamente pode fazer você começar a enxergar a própria vida através da opinião dos outros.

E isso é cansativo.

Porque você já não está apenas tentando resolver o que precisa resolver.

Está tentando provar que consegue.

Você está cansado de tentar ou cansado de se defender?


Talvez exista uma diferença que quase ninguém percebe.

Algumas pessoas não estão cansadas de tentar.

Estão cansadas de tentar enquanto precisam se defender por estar tentando.

Imagine passar por uma fase em que você está tentando reconstruir alguma coisa.

Você tenta uma oportunidade.

Não dá certo.

Tenta outra.

Também não funciona como esperava.

Procura uma terceira possibilidade.

E novamente aparece algum obstáculo.

Depois de algumas tentativas frustradas, é muito fácil começar a pensar:

“Talvez o problema seja comigo.”

“Talvez eu não consiga.”

“Talvez eu esteja insistindo em algo que não deveria.”

“Talvez todo mundo estivesse certo.”

Mas será que uma tentativa que não funcionou significa que você é incapaz?

Será que um caminho que não deu certo significa que você nunca deveria ter tentado?

Ou será que, às vezes, uma tentativa simplesmente não funciona?

Parece uma diferença pequena.

Mas não é.

Porque uma coisa é reconhecer que determinada escolha não deu certo.

Outra completamente diferente é transformar isso em uma conclusão sobre quem você é.

Quando uma dificuldade vira uma prova contra você

Talvez você já tenha percebido isso acontecendo.

Você tenta alguma coisa.

Não funciona.

E imediatamente aparece alguém para dizer:

“Eu avisei.”

Você muda de caminho.

“Está vendo? Você nunca sabe o que quer.”

Você insiste.

“Você está perdendo tempo.”

Você desiste.

“Eu sabia que você não conseguiria.”

Depois de ouvir isso muitas vezes, qualquer resultado negativo começa a parecer uma confirmação.

E aí você deixa de enxergar uma dificuldade como apenas uma dificuldade.

Ela passa a significar:

“Eu sou o problema.”

É aí que a crítica começa a ocupar um espaço muito maior dentro da gente.

Porque uma crítica deveria ser apenas uma informação que você pode analisar.

Não uma sentença sobre o seu valor.

Talvez você esteja vivendo isso agora


Eu também estou vivendo um período em que preciso tentar caminhos diferentes.

Nos últimos tempos, precisei lidar com mudanças e perdas no meu próprio trabalho com conteúdo.

A perda da monetização no Facebook, por exemplo, mudou muita coisa para mim.

E quando uma fonte que você vinha construindo deixa de funcionar da maneira que funcionava antes, você precisa procurar alternativas.

Então você tenta outra plataforma.

Experimenta outro formato.

Cria outro projeto.

Pesquisa.

Aprende.

Começa de novo.

E tenta novamente.

Só que nem sempre as coisas dão certo rapidamente.

Algumas tentativas não funcionam.

Outras funcionam um pouco e depois mudam.

Algumas parecem promissoras.

Outras fazem você questionar se vale a pena continuar.

E eu estaria mentindo se dissesse que isso não provoca dúvidas.

Provoca.

Porque quando você tenta várias coisas e algumas dão errado, é muito fácil começar a pensar:

“O que eu estou fazendo de errado?”

Só que existe uma coisa que tenho aprendido nesse processo:

nem todo resultado ruim significa que você está no caminho errado.

Às vezes significa apenas que aquela tentativa não funcionou.

E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.

Quando a gente começa a confundir resultado com valor pessoal

Talvez esse seja um dos pontos mais perigosos.

Quando alguma coisa dá certo, você sente que está no caminho certo.

Quando dá errado, começa a sentir que você é que está errado.

Mas resultado e identidade não são a mesma coisa.

Um projeto pode não funcionar.

Uma relação pode terminar.

Uma oportunidade pode não acontecer.

Uma escolha pode precisar ser revista.

Uma tentativa pode fracassar.

Nada disso, sozinho, consegue definir quem você é.

Mesmo assim, quando estamos cansados, frustrados ou ouvindo críticas constantemente, essa separação fica mais difícil.

A gente começa a colocar tudo no mesmo lugar.

“Não deu certo” vira “eu não consigo”.

“Essa escolha não funcionou” vira “eu sempre faço tudo errado”.

“Essa pessoa não acreditou em mim” vira “talvez eu realmente não seja capaz”.

E, quando você começa a acreditar nisso, talvez nem precise mais de alguém te desestimulando.

Você passa a fazer isso sozinho.

Nem toda crítica significa que você está errado

É importante dizer isso também.

Nem toda crítica é injusta.

Nem toda pessoa que discorda de você está tentando te diminuir.

Às vezes alguém realmente enxerga algo que você não percebeu.

Às vezes uma opinião diferente pode evitar uma decisão ruim.

Às vezes precisamos ouvir aquilo que não queríamos ouvir.

O problema começa quando toda crítica passa a ser tratada como uma prova de incapacidade.

Você pode ouvir alguém e ainda assim pensar.

Você pode considerar uma opinião sem abandonar imediatamente aquilo que acredita.

Você pode reconhecer um erro sem transformar esse erro em uma definição sobre você.

E talvez seja justamente isso que precisamos recuperar:

a capacidade de ouvir sem deixar de nos ouvir.

Você mudou de ideia porque quis ou porque ficou com medo?

Talvez essa pergunta seja importante para você.

Quando você desistiu daquela ideia, foi porque percebeu que não queria mais?

Ou porque ficou cansado de ouvir que não daria certo?

Quando você abandonou aquele projeto, foi porque encontrou algo que fazia mais sentido?

Ou porque começou a acreditar que não era capaz?

Quando você deixou de tentar, foi porque realmente escolheu outro caminho?

Ou porque estava cansado de precisar explicar suas escolhas?

Não existe uma resposta certa para todas essas perguntas.

Mas talvez algumas delas mereçam ser feitas.

Porque às vezes nós desistimos de coisas que realmente não fazem mais sentido.

E isso não é fracasso.

É mudança.

Mas às vezes também abandonamos coisas importantes simplesmente porque passamos tempo demais ouvindo que não conseguiríamos.

E isso merece ser observado.

Talvez você não esteja precisando de uma resposta

Talvez você esteja precisando de espaço para pensar.

Vivemos cercados de opiniões.

Todo mundo parece saber o que você deveria fazer.

O que deveria aceitar.

O que deveria abandonar.

Onde deveria trabalhar.

Como deveria viver.

Quando deveria desistir.

Quando deveria insistir.

E, no meio de tantas vozes, pode ficar difícil perceber o que realmente está acontecendo dentro de você.

Talvez por isso algumas reflexões não precisem terminar com uma fórmula.

Nem sempre existe um “faça isso e sua vida vai mudar”.

Às vezes o primeiro passo é simplesmente perceber.

Perceber que você está cansado.

Perceber que está duvidando de si.

Perceber que talvez esteja vivendo mais preocupado em provar alguma coisa do que em entender o que realmente quer.

Perceber que uma crítica pode ter entrado tão profundamente que você passou a repeti-la para si mesmo.

Talvez perceber isso já seja importante.

E se você não estiver fazendo tudo errado?

Talvez você esteja errando em alguma coisa.

Todos nós erramos.

Talvez algumas escolhas precisem ser revistas.

Talvez alguns caminhos precisem ser abandonados.

Mas isso não significa que tudo esteja errado.

Talvez você esteja simplesmente atravessando uma fase em que ainda não encontrou o caminho que funciona para você.

E talvez isso seja muito diferente de fracassar.

Eu estou vivendo isso agora.

Estou tentando caminhos diferentes, aprendendo coisas novas, começando projetos e descobrindo, na prática, o que funciona e o que não funciona.

Algumas coisas dão certo.

Outras não.

E ainda existe aquela vontade de olhar para tudo e perguntar:

“Será que eu estou fazendo tudo errado?”

Mas talvez a pergunta precise mudar.

Em vez de:

“O que há de errado comigo?”

talvez seja:

“O que essa experiência está me mostrando?”

Porque uma tentativa que não deu certo ainda pode ensinar alguma coisa.

Uma porta fechada ainda pode fazer você procurar outra.

E um caminho que precisou ser abandonado não apaga o fato de que você teve coragem de tentar.

Talvez você não precise parar

Talvez precise descansar.

Talvez precise mudar o caminho.

Talvez precise aceitar que alguma coisa não está funcionando.

Talvez precise ouvir alguém.

Talvez precise reconhecer um erro.

Mas talvez também exista outra possibilidade:

talvez você esteja apenas cansado de tentar enquanto precisa se defender por estar tentando.

E talvez você não precise transformar toda crítica em prova de que está errado.

Talvez precise aprender novamente a ouvir a própria voz no meio de tantas vozes.

Porque, às vezes, a gente passa tanto tempo tentando convencer os outros de que está fazendo a coisa certa que esquece de perguntar:

“Isso ainda faz sentido para mim?”

E talvez essa seja uma pergunta muito mais importante.

Antes de desistir, talvez pergunte a si mesmo


Eu realmente não quero mais isso?

Ou estou apenas cansado de ouvir que não vai dar certo?

Eu percebi que esse caminho não faz mais sentido?

Ou comecei a acreditar nisso porque alguém repetiu muitas vezes?

Estou mudando porque eu quero mudar?

Ou porque estou com medo de continuar sendo criticado?

Eu estou cansado daquilo que estou tentando?

Ou estou cansado da sensação de precisar provar que consigo?

Talvez você não encontre a resposta imediatamente.

Tudo bem.

Algumas respostas precisam de silêncio para aparecer.

E talvez cuidar de si também seja isso:

parar por alguns minutos e tentar entender o que está acontecendo dentro de você antes de tomar uma decisão baseada apenas no barulho de fora.

Talvez você não precise parar.

Talvez precise parar de transformar toda crítica em prova de que você está errado.

Talvez precise entender que uma tentativa que não funcionou não transforma você em um fracasso.

Talvez precise aceitar que algumas coisas vão dar errado mesmo quando você fez o melhor que podia.

E talvez precise se permitir tentar novamente sem precisar convencer ninguém.

Você está desistindo porque realmente não quer mais ou porque se cansou de ouvir que deveria desistir?

Essa resposta é sua.

E talvez ninguém precise respondê-la por você.

Cuide-se.

Sobre o autor

Marcos Vinícius é terapeuta e criador de conteúdo. O Cuide-se nasceu de experiências reais, coisas que ouvi, situações que observei e aprendizados construídos ao longo da vida e do meu trabalho.

Este espaço existe para transformar essas experiências em reflexões que possam ajudar você a olhar para a própria história e perceber aquilo que, muitas vezes, passa despercebido.

Uma reflexão para continuar

Se esse texto fez você pensar sobre momentos em que começou a duvidar de si mesmo, talvez outras reflexões do Cuide-se também façam sentido para você.
























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